quarta-feira, 27 de julho de 2011

em Porto - PE, 01:42am

Acho estranho ir dormir com essa tristeza toda. Não sei se fecho logo os olhos pra arriscar acordar num dia melhor, ou se me mantenho alerta para que eu não termine mais um dia com este peso e estas dúvidas (ou quem sabe estas certezas incômodas) pendendo no meu "esquema de coisas a fazer com urgência".
As coisas são teoricamente tão simples ... ... e talvez na prática também o sejam... mas me inundo de covardia, e de urgências que na verdade em nada me importam... e adio as minhas grandes decisões.
Me assusta perceber que entre um sim e um não posso definir minha vida. As escolhas a fazer têm sempre um longo alcance... alcance esse que até hoje eu não soube enxergar.
Que futuro é esse que não me aparece aos olhos? Que falta de perspectivas são estas que me fazem ter vontade de largar tudo pro alto e ser completa por apenas alguns segundos???
Tenho construído minhas histórias sem qualquer noção de tempo. Não sei o que pretendo que dure em minha vida. As coisas estão passando muito rápido, e eu não tenho desprendido o menor esforço pra fixá-las em lugar algum...


É triste se achar incapaz de construir um futuro. E é exatamente desta forma que tenho me sentido ultimamente. Completamente sem tempo. Mil ocupações, mas nenhum plano concreto. Nenhuma vontade incontrolável. Este é o problema: vontades existem; sonhos, de monte! Desejos, planos, delírios... mas tudo tem se mostrado melancolicamente controlável, enquadrado, limitado.
Nenhum grito, nenhum desespero Maior, nenhum transbordo...
Tenho me deixado guiar pelos dias sem tomar a frente do meu próprio destino. Meu caminho, além de imprevisível, tem se mostrado a cada dia menos reconhecível.

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